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Eleição

(Por Lindomar Assis)

- Marquinhos vamos chamar os nossos colegas para brincarmos de eleição na escola?

 - Brincar de eleição? Mas como? Nós não temos tanto talento assim.

- Tem sim. Vamos fazer o seguinte: eu me candidato a prefeito e você a vice.

 - Uma boa idéia. Eu vou até chamar a galera do meu grupo para que eles me apóiem. Eu digo para eles que se ganharmos a eleição eles serão recompensados com uma escola mais bonita e mais justa.

- Isso mesmo. Poderemos aproveitar e chamar alguém capacitado, aqueles mais próximos a nós para ficar com algum cargo.

- Com certeza! Para dirigir uma escola precisa de pessoas com muito talento

 - Vamos aproveitar ainda e fazer uma campanha sem diferença de cor, raça ou religião. Vou chamar aquela galera que não tenho muita amizade e também aqueles que ficaram meus inimigos no baba para participar conosco. Vamos unir forças para fazermos uma escola melhor.

- Isso que é democracia…

 - Eu vou aproveitar e comprar sacos de balas para comemorarmos a nossa candidatura com a galera.

- O segredo é esse. Vamos tratar os nossos amigos como sempre tratamos. Aliás, daremos atenção a todas as pessoas.

- Marquinhos, agora nós não podemos gastar muito na campanha.

- Nós só vamos gastar o necessário. Temos que ser exemplos para os nossos eleitores.

- Não se preocupe. Se ganharmos a eleição vamos cumprir com todas as nossas propostas. Vamos mudar a nossa escola.

 - Vamos ser solidários e ajudar a todos.

- Colocaremos o Humberto para cuidar de nossos projetos e o Fabinho para ser o nosso tesoureiro.

- Temos que colocar pessoas de nossa confiança mesmo. Deve ser alguém que agente conheça muito para ficar com o nosso dinheiro.

- Não, o dinheiro é da comunidade, Marquinhos.

- É isso mesmo que eu queria dizer.

 

(Fonte: Folha Universal)

A desnutrição em crianças de até 5 anos teve redução de 50% no Brasil entre 1996 e 2006, segundo dados do Ministério da Saúde. Essa queda ajudou a diminuir em 44% a mortalidade infantil. Os resultados positivos das pesquisa podem ser atribuídos ao aumento no nível de escolaridade e à melhoria do poder aquisitivo da população, além da ampliação da assistência à saúde e da cobertura de abastecimento de água. Outra pesquisa do IBGE confirma os dados do Governo e mostra que, nas últimas três décadas, o percentual de crianças com menos de 5 anos que estão abaixo do peso ideal vem diminuindo de fato.

Por Sylvia Moretzsohn - (Observatório da Imprensa)                                                                  

O menino Ramon Fernandes da Silva, de 6 anos, esperava pelo pai, na porta de sua casa, quando começou uma operação policial na favela do Muquiço, em Guadalupe, subúrbio do Rio. Atingido por um tiro, morreria dois dias depois.

O fato mereceu pequeno registro no Globo, em 29 de junho: ainda assim, uma reprodução de matéria do Extra, do mesmo grupo editorial, com foto documentando o protesto dos moradores na Av. Brasil – pessoas gritando a esmo, um rapaz sem camisa, de boné e bermudas, sendo contido por uma gravata, policiais fardados apontando fuzis para manifestantes dispersos.

O episódio não teria grande repercussão mesmo, pois tiroteios em favelas já são vistos como banais e a morte de crianças por “balas perdidas” se tornou rotina: uma espécie de “dano colateral” na “guerra do Rio”. Além disso, o caso seria obscurecido pelo assassinato do jovem Daniel Duque, de 18 anos, à saída de uma boate em Ipanema, na madrugada seguinte. Não era só uma questão de classe: as circunstâncias, os desdobramentos e as implicações do fato praticamente impunham o destaque. O jovem foi morto por um policial que fazia a segurança do filho de uma promotora, cuja família está há anos ameaçada de morte – e a reação imediata do procurador-geral de Justiça, considerando “bastante coerente” a versão de legítima defesa do policial-segurança, provocou a previsível indignação de articulistas e leitores.

(A legenda da foto de capa do Globo de 2 de julho, sim, era questão de classe: “a tia de um menino morto por bala perdida e a mãe de Daniel Duque se encontram em protesto contra a violência” diante do Palácio Guanabara. A tia do menino é negra e tem os cabelos precariamente esticados para trás; a mãe do rapaz é loura e bem penteada. Ambas se tocam e choram, igualam-se na dor da perda, mas o menino da favela é apenas um menino sem identidade, mais um entre tantos cujo destino parece traçado conforme a origem social e o local de moradia.)

 

 

Eu queria

(Por Lindomar Assis)

Eu queria estar em uma escola, ao invés de ficar nos sinais de trânsito pedindo dinheiro

Eu queria poder me alimentar bem, ao invés de procurar restos de alimentos no lixo

Eu queria morar em uma boa casa, ao invés de ficar embaixo dos viadutos

Eu queria acordar e ver meus pais felizes, ao invés de presenciar eles chorando por falta de emprego

Eu queria passear pelas ruas, ao invés de mendigar por elas

Eu queria trabalhar, ao invés de pedir dinheiro para me sustentar

Eu queria mais amor, ao invés de tanto massacre

Eu queria sorri, ao invés de chorar de tanto sofrimento

Eu queria viver com dignidade, mas você preferiu me escravizar e tirar de mim o direito de ser cidadão.

Manifesto da Antropofagia Periférica

A Periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor. dos becos e vielas há de vir a voz que grita contra o silêncio que nos pune. Eis que surge das ladeiras um povo lindo e inteligente galopando contra o passado. A favor de um futuro limpo, para todos os brasileiros.

Educação problemática, mídia perplexa

É aqui, ali, lá, em todo e qualquer lugar. Educação… Não se econtra mais.

(Por Lindomar Assis) 

 

A política de cotas raciais nas universidades brasileiras entrou em vigor no ano de 2001. Apesar de terem se passado sete anos, muitas discussões ainda são levantadas na sociedade entre estudantes, reitores de faculdades, universidades, professores, etc. Em meio as tantas polêmicas, pode-se citar a luta de poderes. De um lado a elite, maioria de cor branca; do outro, índios, mulatos, pardos, negros, etc, muitos desses fora do ensino superior. 

 

Visando à inclusão social, o Estado lança para a comunidade a política de cotas raciais que tem como um dos objetivos permitir a entrada dos menos favorecidos no ensino superior, com a meta de diminuir as disparidades entre estes e a elite brasileira. A raça negra recebe uma maior atenção no projeto, tendo em vista que índios e demais grupos são minoritários.

 

Para que haja a redução das desigualdades sociais é necessária uma ação étnica afirmativa, ou seja, medidas que procurem amenizar ou eliminar da sociedade as desigualdades existentes para que os diversos grupos étnicos possam tomar uma outra posição na pirâmide social. Não um lugar de exclusão ou humilhação, mas na condição de pessoas que vivam bem economicamente junto às demais classes.

 

Há também grupos que são contrários à política de cotas por acharem que o Brasil fica dividido entre brancos e negros, o que seria injusto e uma maneira menos aconselhável para solucionar o problema da desigualdade racial e da entrada de estudantes nas universidades. Muitos deles defendem ainda uma política pública de reparação para erradicar qualquer tipo de preconceito. Pode-se citar uma educação com boa qualidade, por exemplo.

 

As cotas na sociedade brasileira são necessárias, pois, dessa forma, muitos jovens negros e mulatos, por exemplo, terão oportunidade de acesso ao ensino superior gratuito e qualificado. Esse é o desejo de vários brasileiros, principalmente, aqueles que não têm acesso à universidade.

 

O governo como representante maior da comunidade não pode esquecer de suas obrigações. Verbas precisam ser destinadas às universidades para que o número de vagas seja ampliado. Políticas públicas na educação também são necessárias, visando à capacitação de professores para que os estudantes sejam melhor preparados e de um ensino mais qualificado quando os estudantes sejam mais capacitados no segundo grau e aptos para fazer uma prova de vestibular. Precisa existir também uma melhor distribuição geográfica, uma política de expansão de campi universitários, para possibilitar aqueles que não têm condições de se deslocarem para as áreas onde existem universidades.

 

Enfim, o Brasil necessita de um serviço público que satisfaça a todos e diminua essa realidade histórico-exclusiva que, na maioria das vezes, só serve para contribuir com o aumento do número de marginalizados no país.

 (Por Lindomar Assis)

O Código Penal no Artigo 128, incisos I e II proíbe a prática do aborto, exceto em casos de violência sexual (estupro) ou risco à vida da mulher. Contudo, aqui no Brasil, a prática por meios inadequados como a ingestão de medicamentos é sem procedentes. O único trabalho que a mulher tem é ir a uma farmácia e comprar a droga que precisa para cometer a atrocidade. Sendo assim, milhares de abortos são feitos durante o ano e as estatísticas continuam a aumentar. Para se ter uma idéia, só no ano de 2005 foram 1.054.243 abortos.

Por não estarem preparadas para tal prática, muitas mulheres acabam sofrendo conseqüências graves. Pode-se citar, por exemplo, problemas psicológicos sérios como perturbações depressivas e ansiosas, disfunções sexuais, stresse pós-traumático e, até mesmo, tentativas de suicídio. É possível destacar também outros malefícios como infecções, hemorragias e facilidade em sofrer abortos espontâneos posteriores, pois o organismo sofre alterações e fica mais frágil. Diante dessas questões verifica-se que, além de tamanho sofrimento das mulheres, prevalece também a incoerência humana: primeiro porque é pregado que a mulher tem direito sobre o seu próprio corpo como também “direito de escolha”. Será que muitas dessas mães têm direito à informação para poder saber o que estão fazendo? Tem sentido o direito de escolha se não há um encaminhamento para cada cidadã fazendo com que ela possa tomar as  suas próprias decisões? O direito à informação parece não ser assunto da agenda do governo. Enquanto isso, esse mal prevalece entre quase todas as cidadãs.

O abortamento representa um grave problema de saúde pública e de justiça social em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, que envolve questões não somente psicológicas, citada anteriormente, mas econômicas e sociais. Na nação brasileira, não há um planejamento nem atenção médica públicos para atender às mulheres que sofrem de complicações relacionadas ao aborto. Aquelas que têm condições financeiras mais elevadas recorrem às clínicas particulares de maior higiene e cuidado. Enquanto isso, as mais pobres, que correspondem a grande maioria da população feminina brasileira, buscam métodos com poucas precauções, correndo o risco de contrair problemas graves à saúde.

Toda essa problemática pode ser enfrentada a partir de políticas públicas que reconheçam o direito reprodutivo da mulher e, junto com ela esteja a participação masculina. O Estado também precisa respeitar o direito de nascer e assegurar uma vida digna. Promover educação sexual adequada e conscientizar sobre a necessidade do planejamento familiar. Criar nos municípios brasileiros ações de saúde e cultura de educação sexual é também muito importante. 

A sociedade não pode relativizar demais as questões sociais, principalmente quando envolve assuntos referentes a vida humana. As ciências sociais dizem que quanto mais legaliza determinada questão social, mais desejo o ser humano tem de legalizar outra. E aí, como ficará a sociedade? O homem vai viver sem regras? E o Estado? Será que não está deixando de lado as suas responsabilidades e obrigações? A vida é um bem inerente a todos. Ela precisa ser respeitada na totalidade das fases do desenvolvimento.

Em seu comentário para o programa Observatório da Imprensa no rádio, na sexta-feira (28/3). O jornalista Alberto Dines ponderou que a imprensa não dá a devida atenção ao verdadeiro massacre que ocorre continuamente nas estradas brasileiras. A imprensa se mobiliza vigorosamente quando ocorrem acidentes aéreos, mas não se sensibiliza com o que acontece nas rodovias e avenidas.Nos desastres que interrompem o tráfego nas cidades, os repórteres dos noticiários radiofônicos das manhãs “parecem mais preocupados com a rápida remoção dos corpos das vítimas nas vias urbanas do que com as vidas anônimas que acabaram de ser interrompidas”, observa Dines: “A morte vertical é mais fascinante, na horizontal é inglória.”Recentemente, também o jornalista Sérgio Gomes lembrava que, todos os meses, pelo menos 250 brasileiros morrem em acidentes de trabalho, e outros tantos ficam mutilados ou incapacitados, sem que essa tragédia sensibilize a imprensa. A imprensa produz continuamente estatísticas sobre tudo, desde os congestionamentos diários nas grandes cidades até os gols perdidos pelo centroavante daquele time mais popular. Mas não costuma registrar a contagem das perdas de vidas humanas, que se concentram nos setores de construção civil, de mineração e nos serviços de entrega de correspondência por motocicleta.

(Fonte: Observatório da Imprensa)

O Cidadão Jesus

 

Nos dias atuais ouve-se falar muito sobre Jesus. Assuntos como os seus milagres, sua grandeza, autoridade e santidade são bastante discutidos e comentados entre os diversos grupos sociais, principalmente, entre os cristãos. Todavia, sabe-se que o Cristo de Nazaré não se resume somente a isto.

É marcante e contundente também a sua vida enquanto cidadão. Aquele homem quebrou paradigmas a favor da sociedade. Conversou com pessoas pobres, inclusive, sentou-se na mesa para partilhar do mesmo pão. Abominou preconceitos quando passou por dentro da cidade de Samaria. Naquela época, os Judeus não se relacionavam bem com os samaritanos. O resultado foi uma mulher integrada na sociedade e certa de que através das suas atitudes e testemunho muitas outras pessoas poderiam mudar as suas histórias, como, de fato, aconteceu.

Jesus ou Yeshua entrou na casa de pessoas pobres e tratou todas elas igualmente. Não havia facção. O Homem de Nazaré abominou toda injustiça. Quando vendedores estavam comercializando no Templo Ele acabou com aquela ação que considerou mal. O Mestre do amor era também a favor da justiça. Abominava as maledicências, misérias e corrupções.

Jesus foi um dos homens mais comprometidos com a política e com a transformação social da história da humanidade. Com coragem e sensibilidade, questionou o sistema político-religioso vigente em sua época, através do qual se promovia a desigualdade e a marginalização dos pobres e doentes. (Por Lindomar Assis)

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